15 de setembro de 2011

Motivando seu filho




“Você já fez sua lição de casa?” “Estudou para as provas?” “Fez o trabalho?”
“Ainda não!!!???” Sabe‐se que as perguntas acima são habituais em uma casa com estudantes e muitas vezes são faladas, “gritadas”, sussurradas e outras formas de se falar... por muitos pais e/ou responsáveis.
São perguntas que saem de suas bocas por dia, por hora, por minuto e muitas vezes são repetidas sem efeito. Passam a surgir muitos sentimentos “incômodos” nos pais e/ou responsáveis: raiva, ódio, tristeza, desespero, frustração, impotência, entre outros sentimentos... Por outro lado, os filhos também se sentem cobrados, acham que os pais “pegam” muito no pé e sentem‐se pouco confiantes ou desmotivados para dar
conta das atividades escolares. Tais sentimentos, de ambas as partes, tornam‐se mais intensos quando começam as cobranças feitas pela escola, acusações, boletins com notas vermelhas, recuperação, bilhetes de reclamação na agenda...

Em alguns casos, há ainda a tentativa, muitas vezes frustrante, de alguns pais auxiliarem os filhos na organização dos estudos. Isso pode acabar gerando um desgaste ainda maior nas relações familiares. Faltam orientações aos pais sobre como proceder, ocasionando diminuição da confiança dos pais em si mesmos e aumento do sentimento de fracasso dos filhos. Alguns pais chegam até a utilizar de agressão física, acreditando erroneamente que tal atitude geraria uma mudança do filho frente ao estudo.

Muitas vezes, o aluno é considerado como “desmotivado”, caindo sobre ele mesmo a culpa de não se motivar, não ter “vontade e/ou energia”. O filho ainda pode ser comparado com um irmão muito estudioso ou um colega bem‐sucedido.

Considera‐se que o termo “motivação” pode ser utilizado por pais e professores para se falar dos filhos em questão, entretanto, é interessante unirmos esse rótulo com uma possível mudança por parte de pais e professores, ou seja, toda essa “equipe” que tem como objetivo tornar um aluno/filho motivado necessita pensar em mudanças de comportamentos e de novas formas de agir em relação a esse aluno/filho.

Acima de tudo, o envolvimento dos pais na vida acadêmica dos filhos é um ponto que deve ser incentivado porque promove condições favorecedoras para a aprendizagem, mas é necessário descrever quais atitudes os pais devem tomar para 2 auxiliarem seus filhos a realizar tarefas acadêmicas, estudar, fazer trabalhos e aumentar a motivação.

Associar eventos prazerosos com o comportamento de estudar pode ser um meio de tornar o estudo menos aversivo, podendo chegar, de forma gradual, a ser um momento de satisfação para o aluno. Elogios sinceros e imediatos relacionados à atividade feita ou até mesmo ao comportamento de sentar‐se à mesa de estudos.

Qualquer criança precisa de palavras de apoio e encorajamento por seu engajamento nas tarefas escolares.
O rótulo de aluno fracassado pode ser o fator relevante para a esquiva do estudo.Uma vez que a pessoa tenha sido punida por não entender um exercício, por errar uma conta, escrever uma palavra incorreta, o estudo torna‐se um momento desagradável; por isso, demonstrar afeto e usar o elogio parece ser uma “ferramenta” simples, essencial e barata.

Outro ponto relevante é dispor um espaço sem distrações, sem muito barulho, arejado, iluminado e limpo. Além disso, é importante deixar acessível o material necessário para a realização das tarefas escolares. Fazendo isso, demonstra‐se para seu filho que ele tem um espaço para realizar suas atividades e que isso é valorizado em sua residência.

Durante o estudo, pode‐se instruir sobre como procurar uma resposta no material da escola, pedir para o filho contar o que entendeu ainda que não tenha tido um entendimento completo, relacionar com experiências do dia‐a‐dia, relacionar com outros conteúdos estudados e, por que não, poder descontrair e brincar a respeito do conteúdo estudado. Todas essas estratégias geram emoções prazerosas, possibilitam a sensação de que estudar é possível e que se pode ser bem‐sucedido nesse papel! Se, por falta de tempo ou por inabilidade, os pais não conseguirem dar esse tipo de atenção ao estudo, é possível contar com a ajuda de profissionais que atuam na direção descrita acima.

Afinal de contas, ser um bom aluno funciona para aumentar a autoestima, a autoconfiança e, em alguma medida, previne que os filhos obtenham “sucesso” em atividades indesejadas socialmente.


Por
Ana Beatriz Chamati, Filipe Colombini, Nicolau Pergher, Saulo Figueiredo

Um comentário:

  1. Muito bom. Motivar os filhos nos estudos,nessa época de desenhos super-animados (e tvs cada vez melhores) está difícil. Pelo menos esta é a minha experiência. Por aqui tentamos usar da criatividade e aproximação para incentivá-los. Bom lê-los.

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