15 de julho de 2011

País desenvolvido não é país rico, mas sim um país em que os seus tenham uma vida digna



Os dados do último censo demográfico do IBGE mostram que diminuiu a desigualdade entre a região Nordeste e o Estado de São Paulo na última década. Os municípios da região nordestina foram os que apresentaram maior crescimento de renda per capita enquanto que os municípios bandeirantes ficaram na rabeira da lista. Ainda assim, vale frisar, as regiões do Norte e Nordeste ainda são as mais pobres e as desigualdades delas para com as outras regiões continuam bastante expressivas.

Este resultado se deve, basicamente, às políticas de transferência de renda, ao crédito consignado e a considerável valorização do salário mínimo que, apesar de ser bastante insuficiente ao propósito a que se destina, cresceu, descontada a inflação, 70% nos últimos dez anos, afirma o pesquisador Pedro Herculano de Souza, do IPEA.

Tais dados, olhados de forma fria e apartada, são animadores. E quem já leu meus textos sabe que sou amplamente a favor das políticas acima citadas, pois em uma sociedade extremamente desigual e excludente como a nossa, não há outra forma de se começar um movimento de “reinclusão” social de milhares de miseráveis. Num primeiro momento, o blábláblá da educação, da saúde, de meios para se sustentar, emancipar e caminhar com as próprias pernas de nada adianta se a pessoa não come há dias. Mudanças estruturais não são imediatas!

Todavia, num segundo momento, que julgo ser o que estamos vivendo, ainda que parcela significativa da população tupiniquim ainda dependa destas medidas imediatas, estas tais mudanças estruturais ora mencionadas não só são necessárias como são obrigatórias para um país que se diz a caminho do primeiro mundo. E ai, só ficarmos na frieza dos indicadores de renda per capita e afins é muito pouco.

Isto porque, pouco importa o tamanho da nossa economia se a maior parte dos nossos cidadãos ainda vive sem condições minimamente dignas. País desenvolvido não é país rico, mas sim país em que seus cidadãos vivam bem, tenham qualidade de vida. Para se certificar que esta não é nossa realidade, não é preciso sair de São Paulo e ir ao Norte ou ao Nordeste do país, regiões que, a despeito do robusto crescimento econômico dos últimos anos, ainda são extremamente pobres, para vermos o quão somos desiguais. Em horas, se formos das regiões centrais da capital paulistana à periferia veremos que estamos muito distante de ser um país desenvolvido. A exclusão e a desigualdade social são gritantes. E sem a presença efetiva do Estado com políticas públicas eficazes e efetivas, o máximo que conseguiremos caminhar será da extrema pobreza, ou da miséria, à pobreza.

Segundo o escritor uruguaio Eduardo Galeano, "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

Sem verdadeiras mudanças estruturais promovidas pelo Estado, caminharemos dois passos e o horizonte não se afastará.



 
Por : Pedro Rossi

Um comentário:

  1. Muito bacana o texto, bem consciente, concordo com quase tudo; só discordo do tratamento de "blaá blá blá da Educação"; é ela que garante que q o país continue a crescer sem necessitar eternamente de política de transferencia de renda e etc... São políticas emergenciais, o país não pode viver em eterna emergência! Por enquanto concordo que elas sejam necessárias, mas temos que trabalhar para que não sejam mais, e a educação é fundamental para isso!

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