12 de abril de 2011

Reflexões sobre a tragédia no Rio

Não sou de escrever sobre tragédias como a que vitimou 12 crianças em uma escola pública carioca, sobretudo porque não há muito que falar, somente lamentar. Porém...
Porém, alguns desdobramentos do caso me levaram a escrever este post.

O primeiro diz respeito ao retorno da campanha do desarmamento, a qual apoio plenamente, tanto no executivo quanto no legislativo federal. Entretanto, não podemos nos esquecer que o povo brasileiro, mediante plebiscito, rejeitou o desarmamento em 2005. Ou seja, nós, brasileiros, e não nossos representantes, nos posicionamos a favor das armas. A responsabilidade por essa sandice, a rejeição ao desarmamento, é nossa.

Digo isto pois um dos motivos que proporcionou tal tragédia é a imensa facilidade com que se consegue obter uma arma de fogo. Para as 12 crianças brutalmente assassinadas, a volta da discussão sobre o desarmamento é tarde. Mas, como diz aquele ditado, “antes tarde do que nunca”, quem sabe depois de uma tragédia dessas não corrigimos este grave equívoco, dizendo um imenso SIM ao desarmamento.

O segundo desdobramento diz respeito à falta de noção dos reais motivos que levaram este rapaz a cometer este crime bárbaro. É claro que ele é responsável pelo que fez e, se vivo estivesse, deveria sofrer as sanções cabíveis. No entanto, desconsiderar o histórico de vida dele e simplesmente taxá-lo como um monstro, não serve a nada, somente a encobrir a deficiência do sistema educacional que levou a esta tragédia. E, o pior de tudo, serve para negligenciar situações corriqueiras que podem resultar em outras desgraças semelhantes.

Refiro-me às humilhações e ao desdém com que muitos jovens são tratados em seus meios, sobretudo escolares. No caso em questão, reportagens e declarações de colegas da época de escola deixam claras o quanto este sujeito foi humilhado e rejeitado na sua adolescência. O que obviamente não justifica o massacre perpetrado por ele, mas, aliado à sua provável psicopatia, explica sim. E se não se prevenir este tipo de exclusão, das piores, registre-se, desgraças parecidas novamente ocorrerão. Para tanto, o sistema educacional, tanto público quanto privado, deve se preparar para extirpar estas lamentáveis formas de apequenamento e rejeição do ser humano, que, independentemente de tragédias que podem advir dele ou não, são inaceitáveis por exterminar a dignidade de pessoas que em hipótese alguma merecem ser tratadas desta forma.





Por : Pedro Rossi

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