10 de janeiro de 2011

Políticas públicas para combater a pobreza



Interessante a ideia da presidenta Dilma Rousseff em criar um amplo programa de promoção social, algo como uma força-tarefa com o propósito de acabar não só com a gritante pobreza que atinge boa parcela da nossa população – mesmo com os importantes avanços conquistados pelo governo Lula - mas, sobretudo, com a obscena desigualdade social brasileira. Para tanto, nossa guia resolveu apelidar o nascente programa de “PAC contra a pobreza”.

Independente do nome ou carimbo que se dá ao programa, o ponto positivo da iniciativa é o estabelecimento, a partir de estudos em vigor por técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), de um patamar para a linha de pobreza. Pois, como se sabe, o patamar atualmente usado pelo governo baseia-se somente em critérios econômicos ou de renda, insuficientes para combater a pobreza.
Isto porque, não é só com um pouco mais de dindin que as pessoas adquirem condições de vida digna e inclusão social. Ou será que R$200,00, R$300,00 a mais ao fim do mês para uma família de 4 pessoas com renda inferior a R$1.000,00 é suficiente para prover educação de qualidade e saúde decente? Não, com certeza não!

É necessário, fundamental, urgente, políticas públicas que libertem estas pessoas do círculo vicioso que se encontram. Sem apoio do Estado, se vendem por migalhas para terem o que comer ao fim do dia, o que, pelo que me consta, não lhes confere dignidade. No momento em que têm que comprar serviços básicos que deveriam ser fornecidos gratuitamente pelo Estado – como prevê nossa Constituição -, tais como educação, saúde, acesso a cultura de qualidade, habitação, saneamento, sentem na pele a exclusão social. Não é este pequeno acréscimo de renda que lhe possibilitará adquiri-los.

Como foi citado no lançamento da idéia desse novo programa que ele englobaria ações referentes à inclusão produtiva e ampliação dos serviços sociais e da rede de benefícios, imagino que uma agenda centrada não só em programas de transferência de renda, necessárias em determinados momentos, porém, insuficientes, como também em promoção social e de oportunidades através de um Estado provedor de serviços públicos de qualidade seja a pauta do programa.

Se for isso mesmo, aplausos a nossa presidenta. Caso contrário, mais do mesmo.


Presidenta

Sempre que me referir a nossa guia, tratarei a como presidenta. Registre-se que tanto “presidente” como “presidenta” são formas aceitas pela língua portuguesa no caso de chefes de Estado mulheres. Com relação à Dilma Rousseff, chamarei a de presidenta como forma de realçar a força das mulheres, mesmo motivo pelo qual nossa guia também prefere ser chamada assim.

Entre outras coisas, espero que o governo dela sirva para acabar com a triste desigualdade de gênero ainda reinante, constatada na ínfima participação feminina no Congresso Nacional, com somente 8,9% de representantes mulheres, ou nas remunerações praticadas no mercado de trabalho, no qual para as mesmas profissões e níveis educacionais, as mulheres brasileiras ganham cerca de 30% a menos do que os homens.


Por : Pedro Rossi




7 comentários:

  1. É, não adianta criar um programa pra combater a pobreza, é muito mais do que isso, é investir primeiro em educação que é a base de tudo. Ai sim, esse programa trará resultados significativos.

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  2. Os politicos só olham pelo lado da pobreza
    mais se esquecem também dos problemas de infro estruturas do Brasil e também sua economia

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  3. A Dilma vai ter que lutar muito pra continuar prosseguindo. Administrar um País é muita responsabilidade, tanto com o país e as pessoas em si, como com o mundo.

    Muito bom o seu post, meu caro.

    Um abraço, M!sunderstood

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  4. Concordo com o post... A erracadicação da pobreza e da miséria no Brasil, passa por um processo longo, e é mister destacar que as dimensões continentais do País, associado à cultura de cada região, bem como seu potencial economico, precisam ser observados, além da sensibilidade de que ser pobre não significa apenas ter pouco dinheiro, mas requer qualidade de vida. Espero também que não seja mais um programa que visa dar o peixe, mas sim que ensine a pescar, e mais, que potencialize o que de melhor cada região tem, com suas peculiaridades, pois só assim poderemos ter um país mais igualitário socialmente.

    Abração

    http://estacaoprimeiradosamba.blogspot.com/

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  5. Há muito pra ser mudado ainda! Os investimentos não podem ser pequenos, assim como o empenho, tanto do governo, como da própria população em querer ver sua situação alterada.
    Educação e saúde devem ser postos em primeiro lugar.

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  6. Dá-lhe senhor cientista social, adEvogado e feminista, Pedro-Ivo! Muy bien! Voltarei para ler mais de seus escritinhos, sim? Eu tenho tentado lidar com a política pública de assistência no meu mestrado. Puta coisa escrota do caralho, para dizer o português bem claro! Beijo.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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