20 de dezembro de 2010

Se a eficiência e honestidade fossem condizentes ao salário...




Imagino já ter escrito sobre isto neste espaço quando da última rodada de aumento de salário dos nossos parlamentares, em 2007. Mas eis que nossos digníssimos representantes repetem a dose, e eu, a crítica.

Daquela vez, a reação popular, ainda que acanhada, foi suficiente para que os parlamentares recuassem na sanha que os move sobre as arcas do Estado brasileiro. Não que tenha sido suficiente para tisnar um dos principais interesses dos nossos congressistas, muito pelo contrário, todavia, dos 91% de aumento inicialmente previstos, nossos “nobres” deputados e senadores tiveram que se contentar com “míseros” 28,5% a mais no contracheque do fim do mês.

Desta vez, entretanto, os representantes do povo – fiz questão de escrever representantes do povo, pois, diante de um fato desses, nada mais paradoxal do que qualificá-los como tal, não é?! – foram de uma celeridade ímpar, o que lhes possibilitou decretar o aumento de forma rápida e inconteste.

Por meio de um decreto legislativo - que dispensa sanção presidencial para ser validado e que foi concluído, com votação nas duas casas legislativas, em apenas um dia - os congressistas se autoconcederam um aumento de 61,8%, contra uma inflação acumulada de 20% desde abril de 2007, quando houve o último reajuste.

Diferentemente do tono anterior, agora a benesse se estende aos cargos de ministro de Estado, presidente e vice-presidente da República. A partir de 1º de fevereiro, nossos guias receberão pela nobre arte, aqui sem ironia, R$26,7 mil mensais, o que não me aparece um grande absurdo dada a relevância dos cargos. Porém...

Porém, nossa classe política, sobretudo legislativa, não goza, por motivos justos, de boa reputação. Seus salários não são nada desprezíveis – R$16,5mil – sendo que além do principal, têm direito a uma verba complementar, que oficialmente é destinada para assessores e serviços, mas que muitas vezes acaba por completar-lhes a remuneração, que varia entre R$80 a R$90 mil mensais, além de diversos benefícios, como assistência médica gratuita.

Ainda assim, outro detalhe me causa ainda mais indignação neste momento. Enquanto nossos parlamentares votam e aprovam seus interesses com uma eficiência extrema, matérias de relevante interesse da nação, que visam devolver a dignidade e a liberdade a muitas pessoas, hibernam nas gavetas do Congresso Nacional. Explico: desde 2004 tramita no Congresso um projeto de lei com o escopo de confiscar propriedades em que se encontre trabalho escravo. Poderíamos também citar outros, de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, do fim do trabalho infantil... Todos parados, esquecidos, engavetados.

Não me parece, enfim, que a eficiência esperada de nossos representantes, eventualmente suficiente a vir justificar um salário desses, seja esta exposta por eles, a eficiência do próprio umbigo.





Por : Pedro Rossi

5 comentários:

  1. Meinino! Brilhante seu texto. Queria ter dito tudo isso,
    mas do jeito que ando revoltada, só ia conseguir dizer uns palavrões.
    Oh raça!!! Que ódio!!
    Moço, parabéns pelo seu blog, pela lucidez que vcs demonstram aqui, pelos belos textos.
    Boas festas e um ano de 2011 na medida pra vc ser muito feliz.
    Beijokas.

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  2. Muito bom blog, irei visitar sempre, aliás virei seguidor...hehe

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  3. Amigo coitadinho deles ganham tão pouco. Cambada de sem vergonhas isso sim, e nós vivemos ou melhor sobrevivemos com as migalhas.
    Abraços forte

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  4. Aqui em Sorocaba os nobres edis resolveram fazer o mesmo e praticamente dobraram seus salários...Efeito cascata! Já pensou se todas as cidades resolvem fazer o mesmo?!!

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  5. Enquanto isso os aposentados irão receber uma esmola do governo. O que essa "corja" pretende ainda? Quando fizeram uma campanha na internete pelo voto nulo, muitos defederam a idéia do ganho democrático, representadado por ele. Estavam errados com certeza, pois, nada menos democráctico do que a obrigatoriedade do voto.
    Tiririca chegou como voto de protesto. Esse povo é ou não burro? Votaram em protesto e levaram o "trio da alegria" de volta ao Congresso.
    Sinceramente, não sei qual é a nossa saída.

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