3 de novembro de 2010

A primeira presidente do Brasil, Dilma Rousseff




Não é pouca coisa. Em um país no qual as mulheres só têm os mesmos direitos que os homens na Constituição... Na realidade, ao contrário do mandamento constitucional, as mulheres ainda são tratadas de forma inferior. Basta dizer que a representação política das mulheres na Câmara será de 8,9% na próxima legislatura, não obstante elas serem cerca de 50% da nossa população.

No meio profissional, ainda que mulheres venham ascendendo em postos importantes, ainda há um tratamento diferenciado às mulheres, sobretudo se forem negras. Dados mostram que lhes são designados postos inferiores em relação aos homens e, consequentemente, salários menores, ainda que tenham a mesma qualificação.

Já no plano familiar... Bem, a discussão enviesada em torno do aborto não deixa muita margem pra dúvida.

Todavia, o simples fato da eleita a presidente ser uma mulher não significa necessariamente políticas públicas de promoção à mulher. Isto porque, de acordo com a cientista política Teresa Sacchet, do Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), “não se pode dizer que toda mulher vai ser boa representante de uma mulher. Tivemos na Inglaterra a Margareth Tatcher, que muitos dizem que foi o contrário. Benefícios muito importantes para as mulheres foram cortados durante a gestão dela. Dizem que ela fez um desfavor às mulheres.”

Tatcher que, diga-se, foi uma das primeiras chefe de Estado a impor a agenda neoliberal, o que mostra que convicções e projetos políticos são mais importantes que características pessoais.

Deste ponto de vista, fundamental se faz ressaltar o primeiro discurso de Dilma como presidente eleita, em que logo de início evocou esta assimetria de gênero e assinalou políticas públicas voltadas às mulheres. Se fizer um bom governo, então, será de um simbolismo ímpar para o fortalecimento de uma desigualdade que teima persistir.

 
Ponto positivo

A coluna Painel de 01/11 e o caderno Eleições de 02/11, ambos da Folha de S.Paulo, relatam o interesse do presidente Lula na permanência de Fernando Haddad no comando do ministério da educação. Se a permanência se confirmar, o governo Dilma já começa com meio caminho andado, pois educação deve ser o fundamental do fundamental e, seguramente, Haddad é o melhor ministro da educação que o Brasil já teve na sua história.


Vergonhoso

As manifestações xenófobas contra os nordestinos nas redes sociais me dão vergonha de ser brasileiro e, sobretudo, paulista.

Fiscalização

Quem acompanha o blog sabe que eu declarei abertamente meu voto na Dilma, como também deve saber que nunca deixei de criticar o governo Lula nos seus malfeitos. Assim continuará sendo, pois.

 
 
Por : Pedro Rossi

5 comentários:

  1. A continuídade para alguns somes seriam muito bons como esse Haddad, o problema são as figuras políticas que reaparecem nesse governo!
    Boa Pedro! Abs

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  2. Espero que ela faça o bom governo que esperamos e tanto investimos em sua campanha. abraço

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  3. Well, não votei nela, não votei no Lula, e não voto no PT ... mas, também não votei no Médici, no Figueiredo e nem no Sarnei ... então a vida continua ...

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  4. Gostei da sua análise. Você tem razão que a questão de gênero não é preponderantemente a defesa deste. A questão é ideológica e política, de representação de classe. A Margarete representa a sua classe aristocrática, não poderia governar diferente, embora mulher. Porém, há que se prezar o peso que tem o fato da presidência estar nas mãos de uma mulher. Sinaliza que as "minorias" podem nos representar... e serem representadas. Um belo exercício de democracia. Um belo avanço em busca de igualdades..

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  5. Muito Bom Seu Post ... Parabéns ! Acessa MEu Blog Também - Séries e Filmes

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