13 de outubro de 2010

Dizer que a classe média paulistana é retrógrada é eufemismo!



Ah, pqp (ia dizer Meu Deus, somente por força cultural, mas já estou de saco cheio desta babaquice religiosa que está tomando conta das eleições!) por isso, com todo respeito aos leitores do blog, vai um pqp mesmo. E por quê? Porque acabo de ler um texto que me conforta, que se coaduna com tudo que penso a respeito dos posicionamentos reacionários insuportáveis da classe média paulistana.

Como tenho dito, os caras – esta classe média imoral – querem o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa e o Halloween só pra eles. Aí não dá né!

Leiam abaixo o brilhante texto do jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto.

Primoroso!





O caminho para transformar políticas de governo em políticas de Estado é lento e difícil. Ao que parece, os partidos de oposição perceberam que não conseguirão apoio das classes populares sem garantir que manterão ou ampliarão determinados programas, como os de transferência de renda, vinculados ou não à educação – que tiveram seu início na era FHC e passaram por um processo de universalização no governo Lula. Programas que contribuíram, e muito, para movimentar a economia em locais antes estagnados.

Considerando que a renda de capital foi estratosfericamente maior que a renda do trabalho e os recursos usados para o pagamento de juros foram bem maiores que os usados para os programas sociais (em todos os governos, de FHC a Lula), fico extremamente incomodado quando ouço pessoas reclamando que “dar dinheiro aos pobres os torna vagabundos”.

E o dinheiro que vai às classes mais abastadas, que investem em fundos baseados na dívida pública federal? Em 2006, foram R$ 163 bilhões, enquanto os programas sociais contavam com 13% disso (dados do Ipea). Grosso modo, muito vai para poucos e pouco vai para muitos. E, mesmo assim, sou obrigado a ouvir pérolas quase que diariamente, reclamando dos programas de transferência de renda, não no sentido de melhorá-los, mas de extingui-los. É claro que é importante avançar na construção de “portas de saídas” para programas como o Bolsa-Família, gerando autonomia econômica. Mas a raiva com a qual essas iniciativas vêm sendo tratadas durante a eleição por algumas pessoas me surpreende.

E se eu dissesse que “dar dinheiro aos ricos os torna vagabundos?” Por que usar a frase para os ricos é ser um “analista sensato da realidade” e usar a frase aos pobres é ser um “$#@%# de um comunista safado”?

A conversa, abaixo, ocorreu recentemente em um local de trabalho de um bairro rico da cidade de São Paulo. Uma menina de classe média alta paulistana desabafou com sua interlocutora, recentemente integrada à classe média baixa:

- Essas bolsas ficam alimentando vagabundo! É tudo bolsa-preguiça: bolsa-escola, bolsa-faculdade, bolsa-família…

(O que ela não imaginava é que a outra pessoa era beneficiária do programa federal que concede bolsas de estudos a estudantes de graduação.)

- Bolsa-preguiça, não! Porque eu trabalho e tenho que dar dinheiro em casa, além de tudo. Bolsa-preguiça é a mesada que seu pai te dá sem que você tenha que botar a mão no bolso.

Depois disso, ainda tive que engolir um comentário de um terceiro para quem mostrei essa conversa: “pô, a bolsista tinha que apelar? Pobre é tudo mal educado mesmo.” Não, não, não, não. Ele não estava fazendo uma piada.

Dava para passar o dia discutindo o tema. Mas deixo isso para alguns comentários vazios que são gerados na internet por visões distorcidas e medos individuais, protegidos pelo anonimato covarde da tela de computador. Afinal, este post não está criticando ou elogiando partidos ou governos, mas tentando entender o que, além do preconceito, faz com que um cidadão que tenha um pouco mais na conta bancária acredite que pisar no andar de baixo é a solução para galgar ao andar de cima? E que o futuro do país é feito uma Arca de Noé, com espaço para salvar pouca gente do dilúvio iminente?

Para esse pessoal, é cada um por si e Deus – proporcionalmente ao tamanho do dízimo deixado mensalmente – para todos. Fraternidade e solidariedade são palavras que significam “doação de calças velhas para vítimas de enchente”, “brinquedos usados repassados a orfanatos no Natal” ou “uma doaçãozinha limpa-consciência feita a alguma ONG”. Nada sobre um esforço coletivo de buscar a dignidade para todos, porque todos (teoricamente, apenas teoricamente) nascem livres e iguais.

 
 
 
 
Por : Pedro Rossi

11 comentários:

  1. Olá!

    Belo texto e crítica!

    De fato,a classe média se coloca em uma posição além dos limites entre o bem e o mal.

    Hiprocrisia barata!

    Abraço!

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  2. Olá Carol,

    A que classe você pertence?
    Classe rica? Que bom? conseguiu como? Pai rico? Ou trabalhou para chegar lá?
    Se trabalhou para chegar lá deve ter vindo da classe média. Trabalhou bastante para conseguir.
    É isso que a classe média faz, trabalha bastante para poder manter suas contas em dia e vislumbrar dias melhores. E por isso é duro ver o dinheiro pago com seus impostos sendo convertido para comprar votos. O governo em vez de dar condições para esse povo trabalhar e ter uma vida digna prefere mantê-los em redeas curtas para garantir votos. E você acha que esse povo ta preocupado em lutar por isso? Quem pensa diferente, esse sim acredita em papai noel e coelhinho da páscoa.
    Acho hipocrisia sim, ficarem falando da classe média, pois é a classe que mais trabalha nesse país. É a maioria e a classe que mais luta para conseguir manter suas contas em dia. Ainda bem que existem pessoas que ainda se lembram de doar uma calça velha para vitimas de enchentes, um brinquedo usado ou uma contribuição para uma ONG, qual o problema? Pelo menos estão fazendo isso com o seu dinheiro, com recurso próprio e não com dinheiro dos outros.
    Não vi nada de primoroso neste texto, e acho hipocrisia sim taxar uma classe inteira por causa de um comentário infeliz de uma adolescente sem causa.
    Carol talvez você seja pobre ou esteja se beneficiando das ditas bolsas. Não importa. Seu comentário foi totalmente infeliz, como esse texto.

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  3. "...é a classe (classe média) que mais trabalha nesse país."

    Sério ?

    Então o que vejo quanto volto pra casa às 4h da manhã, ônibus lotados, é miragem ??

    Garanto que qualquer beneficiário do qualquer plano de assistência social trocaria de lugar com alguém da classe dos iluminados, que não precisam de ajuda direta.

    Ainda bem que temos pessoas esclarecidas, que poderiam votar por, digamos, uns 10 desses 'vagabundos', que realmente, fizeram muito por eles nesses anos todos...

    Durma-se com um barulho desses !

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  4. Você acha que é só pobre que pega onibus e trem?
    Algumas pessoas só vêem o que quer.
    Já andou de metrô?

    "Ainda bem que temos pessoas esclarecidas, que poderiam votar por, digamos, uns 10 desses 'vagabundos', que realmente, fizeram muito por eles nesses anos todos..."

    Concordo com você, ainda tenho esperança que neste turno os esclarecidos tirem do poder esses políticos, esses sim vagabundos, do poder, pois só os esclarecidos, que ainda conseguem a muito custo ter um pouco de cultura e brigam por mudanças na hora votar, conseguem enxergar o que está acontecendo.

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  5. Já andei muito de onibus e metrô.

    Às 4hs da manhã, realmente tem muita gente de classe média nos onibus...

    Se você não percebeu a ironia do meu comentário sobre 'os esclarecidos', sinto muito.

    Pois eu tenho 'um pouco de cultura' e discordo de você.

    Primeiro, o país não deu a menor condição à essas pessoas, de adentrarem ao mundo dos 'esclarecidos'. Pela falta de educação, inclusive dos 8 anos de FHC. As escolas paulistas estão em 8º lugar no ranking nacional. Repetindo 8º lugar !

    Depois, vai fazer o que com eles ?

    O texto diz que o que se paga aos rentistas, que se beneficiam de aplicações financeiras é DEZ vezes mais do que se paga em assistência. E a muito menos gente, diga-se.

    O modelo defendido por Serra faliu em 2008, com a crise do neo-liberalismo e a desregulamentação dos mercados.

    Sugiro a leitura de uma artigo bem ilustrativo dessa briga de classes, no link :


    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-psicologia-de-massa-do-fascismo-a-brasileira

    É isso

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  6. É isso ai Paulo, assino embaixo tudo que disse.
    abs

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  7. Penso que o autor deste post"Pedro Rossi" deveria rever seus conceitos, pois não são meia dúzia esses religiosos e sim milhões, por isso todos comentam ou pró ou contra, mas falam. No segunto turno pensem bem meus nobres amigos.... 45 já um número a mais que o outro ...porque todos (teoricamente, apenas teoricamente) nascem livres e iguais. Pois Outros não tiveram a mesma sorte pois foram abortados sem terem o direito de escolha...

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  8. Acessei o link e sinceramente discordo, porém é como estamos fazendo aqui, cada um defendendo seus conceitos.

    O fato é que porque a classe pobre começou a comprar "televisores e geladeiras" não quer dizer que a economia anda as mil maravilhas. As familias brasileiras nunca estiveram tão endividadas O problema é continuar a dar sustentabilidade. Você viu o valor da nossa dívida pública (diga-se do governo)? Já ultrapassa os R$ 2 trilhões. De onde vem esse dinheiro? Claro que dos nossos impostos. Os maiores do planeta. Fazer um país crescer desta maneira é fácil, sair por aí distribuindo dinheiro dos outros até eu consigo. Os juros no Brasil são tão mais altos que em outros países, que é arriscado fazer apenas uma comparação estatística da relação do crédito com o PIB.
    Temos umas das tarifas de telefonia das mais caras do mundo, sem contar a péssima prestação de serviço e equipamentos sucateados. E o preço dos automóveis então?
    Só para dar como exemplos.
    Faltou para esse governo sustentabilidade e continuará faltando se a Dilma for eleita.
    Fique atento para a bolha.
    Sem dizer em José Dirceu, Sarney, Palocci, Delubio, etc... que vêm como brinde.
    Com relação em discordar de mim vivemos em um pais democrático, "por enquanto".
    Posso discordar também de você com ralação ao rankig de São Paulo com relação a educação.
    Sugiro que acesse:
    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-educacao-em-sao-paulo-e-a-falta-de-educacao-dos-petistas/

    Sugiro esse também:
    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/este-blogueiro-lamenta-a-covardia-do-pt-e-convida-o-partido-a-ter-coragem/

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  9. Você vai me dar referência da revista Veja ?

    Tá de brincadeira, não ?

    Pesquise o peso do ICMS de São Paulo nas tarifas de energia elétrica (33%) e de telefonia (25%) e você terá parte da resposta de quem gosta tanto da carga tributária.


    Que aliás:

    1995 - 26 % do PIB

    2002 - 35 % do PIB

    2010 - 36 % do PIB


    Sobre os aliados, é interessante notar que o Sarney tinha um filho no Ministério do Meio Ambiente do FHC e o Calheiros, veja bem, foi MINISTRO DA JUSTIÇA do mesmo FHC.

    É isso.

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  10. O PT usa "os pobres" para se manter no poder, dizendo que o PSDB vai acabar com todos os benefícios e tal.

    O fato é que no governo Lula, a carga tributária aumentou, os banqueiros lucraram mais no gov Lula do que no FHC, a taxa de juros lá em cima.

    O lula com toda sua popularidade não promoveu nenhuma reforma como a Política, Tributária, Previdenciaria enfim não fez nada.

    Sem contar a corrupção, inchou a maquina pública com mais de 20 mil cargos de confiança, enfim uma porcaria de governo

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  11. Adoro um conflito de classes... e hoje existem tantas classes medias que eh engracado ver como as pessoas tentam costuram um grupo tao amorfo em um discurso "politico".

    Eu quero que as classes medias de Sao Paulo se explodam! Eu vivi nessa cidade horrososa por dois anos e apenas posso dizer que eu nunca fui tao ofendido e violentado pela burrice/mediocridade das pessoas ao meu redor como em SP. Nao aguentei e fui embora!

    Sao Paulo eh absurdamente conservadora! As "classes medias educadas" nao sao educadas @#*€ nenhuma! Se eu fosse escrever sobre todas as idiotices que ouvi ao longo de dois anos... Alem de conservadores sao racistas! Deus do c'eu! Dizem que o Rio de Janeiro eh afrancesado mas certamente os Paulistanos fazem jus ao famoso racismo frances.

    Acho que existe um "medo patologizante" em SP que faz as pessoas quererem se diferenciar umas das outras e logo uma discussao sobre classe vira uma nesga politica! Gente, vamos parar de bancar os idiotas e ignorar o obvio: o nosso pais foi construido como um paraiso tropical para elites e a classe media eh ressentida por nao fazer parte dessa elite... fica demonizando os politicos mas seguem a mesma logica em seu esquema etico em relacao aos direitos civis: EU em primeiro lugar... pra que pensar na esfera civil, nao eh mesmo? E os pobres nao tem virtude nenhuma pelo simples fato de serem pobres ou trabalhadores. Trabalho nao dignifica ninguem! Arbeit Macht Frei? Pense duas vezes...

    Metro, onibus, trem, tem gente de todo tipo mesmo... nessa eu nao vou fazer coro com ninguem.

    Por fim: conservadores, racistas, mal-educados, grosseiros, sem maneiras, machistas, homofobicos, elitistas (mesmo sem ser parte da Elite), classistas, violentos, arrogantes... acho que minha lista de adjetivos poderia se multiplicar exponencialmente se voce apenas fechar os seus olhos e se imaginar andando pela Faria Lima, do Iguatemi ateh o Eldorado... pense em todas as coisas que te incomodam nessa caminhada. Pense para quem esse mundo foi construido. Quem tem prioridade, quem tem acesso aos bens publicos. Pense em quem precisa usar os heliportos, em quem precisa de vidro blindado com medo de assalto, em quem tem que assaltar pra comprar aquela droga daqui a 10 minutos pq a fissura "tah batendo!"... pense nesse inferno e depois tente defender a classe media de Sao Paulo!

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