18 de agosto de 2010

Inacreditável!!!


Fazendeiro é flagrado pela sexta vez (!) com escravos
O mais importante não é a notícia a seguir, mas o que está por trás dela:
O governo federal libertou 45 trabalhadores rurais em situação análoga à de escravo na fazenda Zonga, em Bom Jardim (MA). Esta é, pelo menos, a sexta vez em que isso acontece em terras sob controle do pecuarista Miguel de Souza Rezende – hoje com 77 anos de idade. Não perca a conta: em suas fazendas foram libertados 52 em 1996, 32 em 1997, 69 em 2001, 13 em uma ocasião em 2003 e 65 em outra e, agora em agosto de 2010, mais 45. O levantamento foi feito pela repórter Bianca Pyl, em texto publicado pela Repórter Brasil.
(Já contei aqui a história de Antônio, que foi vendido por R$ 80,00 para esse fazendeiro junto com outros companheiros)
“Mesmo que quisesse ir embora, o trabalhador não conseguiria. Ele não poderia bancar o transporte, já que não recebia os salários adequadamente”, afirmou a auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego Camila Bemergui, coordenadora desta última a ação de libertação que contou também com a participação do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal. De acordo com a fiscalização, a situação em que estavam era degradante. Por exemplo, a comida servida aos empregados estava estragada e com vermes. O proprietário se negou a pagar a indenização. Aliás, “proprietário” não seria o termo correto, uma vez que a área estaria ilegalmente dentro da Reserva Biológica de Gurupi.
Seis vezes! Qual a desculpa para ser pego tantas vezes com escravos? Aí é que está, não existe. É simplesmente a impunidade plena que reina quando a Justiça não cumpre o seu papel e o infrator sabe disso de antemão. Ou, melhor, quando cumpre sim um papel de manter as coisas como estão. E a Câmara dos Deputados tem sua parcela de culpa, pois se tivesse aprovado a proposta de emenda constitucional que confisca a terra daqueles que usaram esse expediente (e que já passou pelo Senado), talvez a história de dezenas de pessoas que trabalharam na fazenda Zonga teria sido diferente.
Olha, estou há muitos anos tratando desse tema, o que acaba endurecendo um pouco a vista, diante de tanta bizarrice. Mas essa é uma daquelas notícias que dá uma chacoalhada diante da banalização da violência que nos acomete. Sinto-me envergonhado como brasileiro, com vontade de pedir desculpas a esses últimos 45 libertados por seu país saber que havia uma armadilha montada e não ter conseguido desativá-la.
Se fosse eles, pediria indenização ao Estado pelo seu papel de cúmplice.




Por : Pedro Rossi

6 comentários:

  1. O Brasil se preocupa em dar abrigo iraniana que está sendo condenada a pedradas por adultério.
    A condenação está lícita em nossos próprios limites territoriais.
    "E agora,José?"

    Abs!

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  2. Olá!
    Parece que ainda estamos em 1888 !
    Abçs!
    Rike.

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  3. nossa naum dá pra
    admitir q ainda exista este tipo de coisa nos dias de hj

    "que pais é este?"
    bjim guri

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  4. Amigo Erich,
    É vergonhoso mesmo.
    Essas pessoas nunca tentaram se colocar no lugar desses trabalhadores, e certamente nunca se imaginaram comendo comida estragada, com vermes, contaminada.
    Revoltante e lamentável meu caro amigo.
    Parabéns pela notícia.
    Grande Abraço.
    Roni.

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  5. Realmente, dá vergonha de ser brasileiro numa hora dessas...Tantos problemas aí, na cara e o governo preocupado em resolver os problemas dos outros (Irã, por exemplo...)Mas isso que voce faz, Pedro - escrever já é uma boa forma de aliviar esse sentimento que temos. Parabéns!

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  6. Erich,
    É vergonhoso nos depararmos com esse tipo de notícia.
    A justiça é morosa, e muitas vezes fecha os olhos para alguns casos, e é por esse e outros motivos que a situação do país está como está.
    Parabéns pela postagem.
    Bjs.

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