5 de abril de 2010

Lulismo, uma nova forma de fazer política


O cientista político André Singer, da USP, acaba de publicar um artigo no qual analisa o perfil dos eleitores do presidente Lula nas duas últimas eleições presidenciais. “Raízes Sociais e Ideológicas do Lulismo” mostra, a partir de dados eleitorais, a mudança radical e inédita por que passou o bloco de sustentação eleitoral do presidente Lula.

Segundo Singer, na primeira vitória de Lula, em outubro de 2002, sua base de sustentação eleitoral fora os eleitores históricos do PT, qual seja, predominantemente a classe média, na qual podemos citar os trabalhadores organizados, os funcionários públicos, os intelectuais, entre outros. Já na sua segunda vitória presidencial, o subproletariado, tradicionalmente distante de Lula e do PT, foi quem lhe garantiu mais 4 anos de poder, ao passo que a classe média se afastou fortemente de nosso presidente no escrutínio de outubro de 2006.

Em debate sobre o artigo, em que estiveram presentes o economista Luis Carlos Bresser Pereira e o cientista político Jose Augusto Guilhon Albuquerque, Singer explicou que tal mudança se deve a uma nova configuração ideológica baseada em discursos e práticas que misturam elementos de esquerda e direita ao mesmo tempo. São estas ações “sui generis”, basicamente representadas pela manutenção da estabilidade política e econômica aliada a ações distributivas promovidas pelo Estado que dão corpo ao que se chama de Lulismo.

Diz Singer que “O tripé formado pela Bolsa Família, pelo salário mínimo e pela expansão do crédito, somado aos referidos programas específicos, resultaram em uma diminuição significativa da pobreza a partir de 2004, quando a economia voltou a crescer e o emprego a aumentar. É isso que Marcelo Neri chama de “o Real de Lula”.

Em vista disso, e da manutenção da ordem nacional, Lula conseguiu fazer com que a fração de classe de até 2 salários mínimos de renda familiar mensal, chamada por Singer de subproletariado, descrita por ele como incapaz de construir suas próprias formas de organização e, sobretudo, ávida por um Estado suficientemente forte para diminuir a desigualdade sem, contudo, ameaçar a ordem estabelecida, reconhecesse nele seu representante. Fato inédito em nossa história se considerarmos, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, que a classe de baixíssima renda, exatamente por este anseio de manutenção da ordem, nunca fora eleitora predominante do PT e de Lula.

Vale mencionar, ainda, uma interessante análise de Bresser Pereira na ocasião do referido debate. Segundo Pereira, Lula conseguiu a mágica de governar para as parcelas mais pobres e mais ricas da população brasileira ao mesmo tempo, ao garantir uma política social distributiva e uma política econômica favorável ao grande capital, ou nas palavras diretas e objetivas de Pereira, aos ricos. O que, para Pereira, foi fundamental para a sobrevivência do presidente, pois se a parcela da população de baixíssima renda constitui quase 50% da população brasileira, e assim ocupa papel decisivo nas eleições, também deve se atentar ao fato de que é impossível governar o país sem se fazer concessões ao grande capital.

Pereira afirma que governar só para os ricos ou, ainda, governar com os ricos, é possível, mas governar sem contemplá-los é simplesmente inviável. Isto porque, se excluídos das políticas do Estado, imediatamente cortam os investimentos, o que inviabiliza qualquer projeto de nação.
Mas e a classe média? Bem, a classe média, acometida ano após ano por altíssimos impostos, se encontra a margem deste núcleo de políticas do lulismo. Não por acaso, o divórcio foi inevitável.

9 comentários:

  1. lula seu safadinho o/ xD

    olha o buxo xD

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  2. Eu sou totalmente contrário a esse "lulismo" ou como devia ser chamado a política da vista grossa.

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  3. Belo texto, amigo.

    Gostaria de lhe recomendar um texto do jornalista Olavo de Carvalho sobre o Lula, ele mora nos EUA e é um dos mais audaciosos escritores brasileiros.

    Quanto ao texto, o Lula é um político e tanto, e uma bosta de presidente.

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  4. discutir política é o mesmo que discutir futebol e religião, difícil chegar ao senso comum. de qualquer forma acredito que o grande sucesso do Lula foi oferecer as diversas "Bolsas" aos menos favorecidos ao invés de educação, saúde e vida digna ao povo brasileiro. enquanto esse povo miserável se contentar com o mínimo necessário sem esforço algum, sem q tenham que trabalhar, fica mais fácil o nosso presidente eleger a sua sucessora. concordo com o comentário acima, Lula aprendeu a ser político, mas como presidente sempre é o último a saber das coisas, ou seja, nunca sabe de nada! lamentável.

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  5. lula foi bom para os pobres, mas esqueceu do resto.

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  6. OLá!
    Texto pertinente!
    De fato,a política do Lula com relação ao subproletariado é boa,mas muitas vezes mal planejada.
    O que dizer a política educacional que abriu portas ao ensino superior?A inciativa é louvável,mas como tem sido o resultado?
    Olhos bem abertos na próxima eleição.
    Beijos!

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  8. As fotos, vendo-as em sentido anti horário a partir do clássico umbigo do Lula, parecem remeter à evolução da espécie: do umbigo sem nexo o poder!

    abç
    Pobre Esponja

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  9. Olá Erich,

    Excelente texto! Parece-me que o presidente Lula é um político e pêras. Como presidente não sei pronunciar-me...

    Grande abraço
    Luísa

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