8 de junho de 2009

Aprendiz de Malandro

O reality show “O Aprendiz 6 - Universitário”, que terminou a cerca de 15 dias, teve momentos lamentáveis. O programa, apresentado pelo pseudo guru Roberto Justus, mostrou como não se deve agir uma pessoa honesta e de caráter no mundo corporativo.

Pelo o que se viu em alguns momentos do programa, o apresentador entende que para se ter sucesso profissional vale praticamente tudo, inclusive praticas pouco dignas. É claro que o discurso oficial é o oposto, mas certas atitudes não deixam dúvidas.

Em um dos últimos episódios do reality show, as 3 participantes restantes foram levadas a uma cidade chilena próxima de Santiago. De lá, sem absolutamente nenhum dinheiro e somente com o passaporte em mãos, deveriam se virar para voltar ao hotel que estavam hospedadas em São Paulo. A vencedora seria aquela que chegasse primeiro ao hotel.

Na visão do apresentador e de seus conselheiros amebas, a tarefa procurava testar o espírito e as qualidades empreendedoras das postulantes ao prêmio de R$1 milhão. Afinal, argumentavam os “magníficos e honestos” empreendedores, conseguir sair de uma cidade no interior do Chile e chegar a São Paulo sozinho, sem nenhum tostão, é façanha que depreende esforço, convencimento e persuasão. Porém, entendo que trapacear, enganar e charlatanear não deveria fazer parte deste repertório que, de forma lastimável, foi o que se viu.

Participantes pedindo de dinheiro aos chilenos e usando, para isso, as estórias mais absurdas possíveis. Como, por exemplo, que a mãe estava doente e precisava do dinheiro para salvá-la e outras estórias semelhantes. A vencedora, por sinal, foi quem usou deste artifício e, assim, logo arrecadou dinheiro suficiente para chegar a Santiago e comprar uma passagem aérea para São Paulo. Vitória que foi confirmada e exaltada pelos “gurus” do programa.

Agora, caro leitor, gostaria de lhe fazer uma pergunta. Imagine que você tenha colaborado com esta embromadora, para o bem da saúde da mãe dela, e descuidadamente você assiste ao referido programa e percebe que foi aviltado. Como você se sentiria?

Para a sorte dos participantes, o programa não é transmitido no Chile. Afinal, de empreendedoras tais atitudes nada têm. Absolutamente aéticas e imorais. A cara e nobre concessão de sinal televisivo não deveriam ser usadas para o aprendizado do famoso jeitinho malandro de se levar vantagem de forma desonesta.




Por : Pedro Rossi

8 comentários:

  1. Concordo plenamente jovem amigo.

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  2. É por isso que não perco tempo assistindo esses programas "manjados". É uma pena, pois poderia ser muito útil se mostrasse a vida com ela realmente é, sem a maquiagem que falsifica o produto.
    Se a gente não tem opção, pode ler um livro!
    Bjs

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  3. Se fosse eu que tivesse dado o dinheiro, iria ficar com cara de bobo - para não dizer outra coisa. Ia fica muito irritado por ter sido enganado.

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  4. Na boa?
    Eu tenho é vergonha em dois pontos ou tres pontos...
    1º A ganhadora é uma pseudo estudante de comunicação aqui UFMT (Cuiabá, Mato Grosso).
    2º ela participando e ganhando mostra aquilo que eu sempre soube, o programa nao visa o desenvolvimento do intelecto e do individuo para que ele cresça... Mas a pútrida situação de que o mundo cão é ativo em todas as esferas... Até mesmo nas dos pseudo pensadores de mentes abertas e legais, saca?
    3º ver televisão causa depresão.

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  5. Mandou bem Pedroca ... fazer os participantes se humilharem e pedir dinheiro para voltar para SP não tem nada de empreendedorismo e sim falta de palta e assunto no programa...!!!

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  6. Oi, Pedro!

    Mesmo correndo o risco de ser mal interpretado, não concordo com a sua opinião a respeito da prova em si.

    A prova poderia ser realizado em sete dias e as participantes, caso não quisessem cumprí-la poderia ter dito que não faria. E acho que era essa a resposta que o Justus queria ouvir delas. Mas elas toparam o desafio, fazer o que?

    Do mesmo jeito que ele perguntou para as duas finalistas, no último programa, pq ele deveria contratar a concorrente, e cada uma deu uma resposta. Quando na verdade ele queria que elas falassem que não conseguiria vender um produto que elas não acreditavam.

    Mas o fato não é testar quem foi mais desonesto inventando lorota. Mas sim, testar a força de vontade de cada participante e o poder de argumentação para se conseguir um objetivo.

    Claro, falar mentira é muito grave. Não concordo nesse ponto também! Mas o fato é que era para analisar o poder argumentativo de cada uma de se alcançar um objetivo, entendeu.

    Surpreendentemente, a participante Marina, que ganhou a prova e a edição 6 do programa, voltou para o Brasil em 25 horas! Isso para mim é um exempplo de força de vontade.

    Analisar "O Aprendiz" apenas de forma funcional é diminuir a qualidade do programa. Bom, não encaro a prova como humilhante. Humilhante é viver com um salário mínimo, durante um mês e sustentar uma família.

    Apesar de não concordar com o seu ponto de vista, respeito a sua opinião sobre o programa, blza. Por favor não leve para o lado pessoal.

    Abraço

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  7. Tudo que foi mostrado no programa é a realidade de grande parte das empresas !

    Agora , mentir , pode ser tudo menos empreendedorismo !

    abraço

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  8. Eu não cheguei a acompanhar essa versão, mas ano passado aconteceu a mesma coisa, porém quem ganhou foi aqueleque comprou chocolates para revender e, assim conseguir dinheiro.
    E justamente o participante que pediu dinheiro, foi repreendido pelo Justos, pelo ato de mendicãncia. Estranho depois de um ano ele ter mudado seu conceito em relação ao ato.

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