5 de janeiro de 2009

Ano novo, Estado novo!

Gostaria de desejar um ótimo ano a todos os leitores e amigos do blog.

Neste primeiro post do ano, irei reproduzir um texto da seção tendências e debates do jornal Folha de São Paulo de 16/12/2008, que defini exatamente o que penso ser a função do poder público perante a sociedade.
Não costumo reproduzir outros artigos neste espaço, mas neste caso o farei pois se trata de uma descrição exemplar de como deve ser a atuação do Estado brasileiro não só neste ano que começa, mas sempre. Pois em um mundo cada vez mais individualista e egoísta, cabe ao Estado agir em prol do interesse coletivo. Esperar que a iniciativa privada o faça, sem prejuízo de ações não estatais bem intencionadas que, entretanto, apenas amenizam a injustiça social, é ingenuidade ou ignorância. Por fim, antes de expor o artigo, gostaria de destacar uma frase que demonstra não só a grande ironia gerada pela crise financeira atual como também a falta de escrúpulos de quem “defecou” dinheiro por muito tempo às custas da desigualdade social.

“É uma incoerência os que sempre defenderam o mercado como "deus regulador" recorrerem ao Estado em um momento de dificuldade.”



É hora de mudança!

Participamos de reunião com o governo federal para apresentar essas alternativas, construídas por mais de 50 entidades.

O NOSSO país tem uma importante oportunidade de aproveitar a crise econômica mundial para deixar para trás a atual política econômica neoliberal e tomar medidas para adotar um novo modelo de desenvolvimento nacional, com base em distribuição de renda, geração de empregos e fortalecimento da indústria e do mercado interno, melhorando as condições de vida do povo brasileiro.
A crise demonstra em todo o mundo que o neoliberalismo não tem condições de sustentar o desenvolvimento social, ambiental e econômico, sendo necessário aplicar medidas de regulação da economia e fortalecimento do Estado. Chegou à falência o modelo econômico caracterizado pela hegemonia do capital financeiro, altas taxas de juros, superávit primário e prioridade ao setor exportador.
Não encontraremos a solução em políticas que reforcem ou amenizem os problemas do neoliberalismo, apoiando bancos e grandes empresas, mas com iniciativas que apontem para mudanças estruturais. No Brasil, precisamos reduzir imediatamente as taxas de juros e controlar a movimentação do capital especulativo, impedindo a livre circulação, instituindo quarentenas e taxações.
O governo deve revisar uma desgastada orientação do FMI, um dos responsáveis pela crise: o superávit primário. O Tesouro Nacional gastou nos primeiros quatro anos do governo Lula cerca de R$ 600 bilhões com a rubrica relativa aos juros da dívida pública! Temos que usar esses recursos para construir escolas e contratar professores para universalizar o acesso à educação pública.Nas grandes cidades, é urgente fazer investimentos em transporte público, hospitais e moradias populares, fazendo uma reforma urbana. No campo, a produção de alimentos da agricultura familiar e camponesa precisa receber investimentos públicos, com o fortalecimento da pequena e média propriedade e realização da reforma agrária.
O governo deve estabelecer metas de geração de postos de trabalho formais, dentro de um amplo programa público, reagindo ao aumento do desemprego causado pela crise. Ao mesmo tempo, para dar força ao mercado interno e garantir o consumo, o salário mínimo e os benefícios da Previdência Social devem aumentar, distribuindo renda.
Essas medidas só serão viáveis se os recursos públicos forem aplicados com responsabilidade. Os subsídios para salvar bancos e empresas especuladoras - que ganharam muito dinheiro com o neoliberalismo - apenas reforçam as contradições do modelo que entrou em crise.
É uma incoerência os que sempre defenderam o mercado como "deus regulador" recorrerem ao Estado em um momento de dificuldade. Os bancos públicos, como BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, não têm que socorrer o grande capital e devem só aprovar empréstimos com garantia de desemprego zero.
Estamos preocupados também com a investida predatória sobre os recursos naturais, que aumentam em tempos de crise, porque proporcionam acumulação rápida.Não podemos aceitar as propostas irresponsáveis do agronegócio para mudanças na legislação ambiental, reduzindo áreas de preservação na Amazônia e no que resta da mata atlântica. As grandes empresas do ramo petrolífero estão de olho no petróleo na camada do pré-sal e querem a manutenção do regime de concessão, impedindo mudanças legais que garantam a soberania nacional.
A atual crise econômica é de responsabilidade dos países centrais e dos organismos dirigidos por eles, como OMC, Banco Mundial e FMI.
Defendemos uma nova ordem internacional, que respeite a soberania de povos e nações. O Brasil precisa fortalecer a estratégia de integração regional, com foco no Mercosul, na Unasul e na Alba. Com isso, por exemplo, poderemos substituir o dólar nas transações comerciais por moedas locais em toda a América Latina, como recentemente fizeram Brasil e Argentina.
Participamos de reunião com o governo federal para apresentar essas alternativas, construídas por mais de 50 entidades. Não estamos preocupados com as eleições, mas com o futuro do país. Queremos contribuir com o debate para que o povo brasileiro se mobilize por um novo modelo econômico diante da gravidade da crise.
Não podemos perder esta oportunidade de fazer mudanças necessárias em nosso país.


JOÃO PEDRO STEDILE, 54, economista, é integrante da coordenação nacional do MST e da Via Campesina.
JOSÉ ANTÔNIO MORONI, 45, filósofo, é membro do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) e diretor da Abong (Associação Brasileira de ONGs).
NALU FARIA, 50, psicóloga, é coordenadora-geral da Sempreviva Organização Feminista (SOF) e integrante da Secretaria Nacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil.



Por Pedro Rossi

24 comentários:

  1. Seu blog tah legaal !
    Feliz ano novoo !

    ^^

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  2. Feliz 2009 pra vc tb!
    E falando de mudanças necessárias para nosso país eu postei sobre a mudança ortográfica.
    Aqui vai o linK:
    http://indicoesse.blogspot.com/

    Continue com o blog cada vez melhor!

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  3. Oi, Pedro e Erich!

    Artigo brilhante mesmo que merece ser divulgado para todas as pessoas. Também acho que o modelo econômico neoliberal morreu ano passado com a crise americana. O Estado precisa regular a economia e não pode ser omisso a essa questão que controla a vida de tantas pessoas.

    Sou um otimista nato e acredito que o Brasil ainda vai melhorar muito - e estamos caminhando para isso. O nosso problema maior é a corrupção e a violência - coisa que boa vontade e disciplina dá para fazer, sem politicagem ou falsa modéstia.

    Claro, vai demorar um pouco para chegarmos à excelência. Mas, se não começarmos agora, o Brasil que queremos nunca irá chegar.

    Abraço e feliz 2009!

    =]
    --------------------
    http://cafecomnoticias.blogspot.com

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  4. Mudanças sempre bem vindass.... e sempre pra melhor claro.. =]

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  5. O Brasil vai melhorar, obviamente. Mas enquanto isso...'...'.




    http://www.quartodealuguel.blogspot.com/

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  6. tomara qe seja algo mudado .
    =]

    a esperança é a ultima qe morre !


    http://opniaoinutil.blogspot.com/

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  7. Boa analise, tudo isso e verdade mesmo, falta um pontape inicial. E mais, tem que aproveitar mesmo ate pq a sociedade nao caiu na ondinha da crise criada pela midia, e contunua com os habitos de consumo pre crise. Parabens.

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  8. Olá,
    todos (ok, estou exagerando quando falo todos - afinal, massa não tem opinião!) tem uma idéia do que precisa mudar no Brasil, mas...






    http://putoanonimo.blogspot.com




    ps. Já falei que adoro passar aqui?

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  9. É isso ai Pedro, temos que realizar mudanças nesse sistema financeiro atual.
    Marx deve estar feliz com a derrocada do neo-liberalismo, mas acredito que o sistema proposto por ele é utópico para realidade em que vivemos.
    Em relação ao Brasil, tem que ser feito investimento em diversas áreas, mas os recursos devem ser utilizado de forma responsavel, se não de nada adiantará.
    Parabéns pelo post e pela iniciativa de mudança. O Brasil precisa de novas idéias.

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  10. blog bacana, estou lendo..
    mais gostaria de pedir antes, uma parceria...
    uma troca de links
    pode ser ?

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  11. Feliz 2009 pru c tmb!
    E esse anu tenhu certezas q mudanças chegaram pra mim (mudanças n taum boas T_T)

    P.S:vlw pela visita e o comentario nu meu blof ;)

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  12. Feliz ano novo...

    ANO NOVO POLÍTICOS NOVOS?

    Que nada, sempre os mesmos, que droga!!

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  13. legal seu texto, como sempre!!!!
    feliz 2009

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  14. Feliz 2009
    E q venham as mudanças boas desse ano xD

    http://centralhilariante.blogspot.com/

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  15. Creio que não será desta vez que o mundo irá acordar desse sono profundo e suicida chamado neoliberalismo. Até porque este Estado ( ou a falta dele) que aí está é um reflexo da nossa atitude perante a política. Somos alheios, terceirizamos a política na mão de profissionais do poder que usam o máquina pública da maneira que bem querem.

    O que vem ocorrendo agora pode ser comparado à crise de 29, quando o governo estadunidense utilizou keynesianismo para ajudar o setor privado e reerguer a economia. Logo depois de recuperada, o deus mercado voltou a ativa.

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  16. E q venham as mudanças boas desse ano xD [2]

    Porque se for pra mudar pra pior melhor deixar como esta.

    Abraços

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  17. É... mudanças fazem parte permanente da vida...

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  18. Primeiramente, quero desejar um feliz 2009 aos amigos deste blog, e que cada vez mais, este blog ganhe espaço na blogsfera, aliás, a blogsfera necessita de mais blogs como este.

    Quanto ao post, essas palavras so reforçam o que eu, e muitos brasileiros preocupados com o futuro de nosso país, já falávamos a algum tempo, principalmente no que se trata ao neoliberalismo e seu desastrosos efeitos a longo prazo.

    Outra recomendação que é algo mais que evidente, é a importância que se deve dar a politicas de desenvolvimento, não apenas uma sigla PAC, mas algo que gere um sentimento de que agora vai, investindo em EDUCAÇÃO, MORADIA e INFRA-ESTRUTURA, gerando mais empregos e renda.

    Com as demais medidas, o Brasil seguiria crescendo em indices cada vez maiores, e tornaria-se uma grande potência, como esperamos.

    abraço,
    www.comideiaseideais.blogspot.com

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  19. Pelo q entendi, o texto não é seu, né? Portanto, não foi vc q definiu nada, então é o texto que definE, tá ligado?

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  20. oh... naum entendo muito sobre o tema
    mas gosto muito de ler opiniões...
    o txt e o blog estão muito bons...
    parabéns

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  21. oie brigada pela visita no exoticlic
    se quiser te passo alguns links que vc faz teu banner online mesmo.
    é rapido e facil ;D

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  22. Fala isso para o PSDB... rs.

    Concordo que o modelo neoliberal está falido, aliás, nasceu fadado ao fracasso.

    Não defendo estatizações e nem o gigantismo do Estado, mas intervenções pontuais em setores efetivamente estratégicos. As agências reguladores são fundamentais nesse processo, mas precisam ser balizadas por parâmetros mais técnicos e profissionais.

    Enfim, estamos longe do ideal, mas acho ótima sua iniciativa de fomentar o debate.

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  23. Há um astucioso proselitismo na subversão do conceito neoliberal.
    A participação do governo apadrinhando empresas e bancos nada tem de neoliberal, mas neofascista, como neofascistas são todas as propostas sociais. Não há a menor possibilidade da felicidade ser coletiva, porque ninguem pertence à manada. Nenhuma realização pode se efetivar na coletividade, e tal intento já foi por demais provado, seja pela sapiência de Bismarck, de Mussolini, e de Hitler, ou ainda pela candura de Lenin Stalin e Mao. O coletivismo é interessante apenas ao pastor, que tosa e carneia a ovelhinha a seu belprazer. Sorry.

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