3 de novembro de 2008

Responsabilidade Social e o Estado.

A responsabilidade social tem se apresentado como um tema cada vez mais importante no comportamento não só de grandes corporações e empresas como também de pessoas físicas. Em ambos, destaca-se a possibilidade da dedução do imposto de renda em prol de entidades assistenciais. As pessoas físicas podem destinar 6% do Imposto de Renda devido. Já para as pessoas jurídicas, o percentual é de 1%.
No âmbito empresarial, entretanto, o conceito é mais amplo, como explicita Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos, uma das principais instituições responsáveis pela difusão do conceito de responsabilidade social na sociedade brasileira. "(...) a atitude ética da empresa em todas as suas atividades. Diz respeito às interações da empresa com funcionários, fornecedores, clientes, acionistas, governo, concorrentes, meio ambiente e comunidade. Os preceitos da responsabilidade social podem balizar, inclusive, todas as atividades políticas empresariais”.(GRAJEW, Instituto Ethos, 2001).
Como vemos, o conceito de responsabilidade social empresarial é bastante interessante e importante para a comunidade como um todo.
Porém, em minha visão, tais praticas acabam por diminuir cada vez mais a atuação precípua e vital do Estado. Qual seja, a execução e a presença constante do poder público nas questões sociais.
Sem dúvida é bastante importante a preocupação da sociedade civil para com os problemas sociais e, sobretudo, com a paralisia estatal em resolver tais questões, seja por falta de interesse, por excessiva burocracia, por desvio de dinheiro. Tal preocupação fica clara no seguinte depoimento: “Em vez de mandar esse dinheiro para um bolo do governo, mando diretamente para quem sei que precisa” – diz Carlos Ely Garcia Jr., trabalhador que destina, todos os anos, 6% de seu imposto de renda para uma instituição de atendimento a portadores de deficiência.
Mas, como disse anteriormente, entendo que cabe ao Estado resolver as questões sociais. Um bom exemplo disso é o modelo europeu de Estado de Bem Estar Social, que nasceu após a Segunda Guerra Mundial e desapareceu com o surgimento e a ascensão de líderes europeus neoliberais, destacadamente a premier inglesa Margaret Thatcher. Este modelo foi, seguramente, o mais bem sucedido no campo social nos últimos tempos. Pois foi um modelo fortemente baseado no amparo estatal à educação e à saúde de qualidade e universal. Tanto que a Finlândia, um dos poucos países que ainda seguem este modelo, com alta carga de impostos e serviços sociais básicos fortemente abastecidos pelo Estado, tem os menores níveis de desigualdade social do mundo.
E, é importante dizer que devemos ter em mente, sem nos deixarmos enganar, que da mesma forma que a natureza principal das empresas ou corporações continua sendo o lucro, algo natural, por outro lado, a função primeira do Estado continua sendo servir a sua comunidade.
Não é porque o Estado é corrupto, desinteressado ou excessivamente burocrático e, conseqüentemente, devagar, que se deve relega-lo a praticas de regulação e fiscalização, somente. Deve-se, ao contrário, lutar e buscar exaustivamente pela extinção da corrupção, das excessivas burocracias e por um maior engajamento e interesse do Estado no que, em realidade, é o seu dever.
Pois a força e o potencial do Estado em prover melhorias sociais e diminuir as desigualdades sociais é única. O que não impede que organizações ou entidades paraestatais possam ajudar no aspecto social. Muito pelo contrário.
Entretanto, no limite, em uma comunidade em que o poder público é totalmente ausente das questões sociais, a atuação de empresas, corporações ou até mesmo de pessoas físicas no incentivo de atividades socialmente responsáveis se configuram em mera perfumaria.




Por : Pedro K. Rossi

32 comentários:

  1. Concordo com o amigo. Vez por outra aparecem coisas do tipo. E não me refiro somente à dedução fiscal que acaba - involuntariamente - fazendo a máquina estatal afastar-se do cidadão, que é responsabilidade dele. Programas como Amigos da Escola, por exemplo, por mais que tenham boa vontade de seus participantes, são um exemplo de delegação irresponsável dos deveres do Estado.

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  2. Não vamos esquercer das milhares de "ongs" fantasmas de nossos queridos políticos.....

    O que é dever do estado ....aqui no brasil......é totalmente falido.....

    Na minha opinião o estado deveria cuidar apenas de EDUCAÇÃO - SAÚDE - TRANSPORTE.....o resto tem q ser privado.

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  3. Smepre dá pra fazer alguma coisa. Falta boa vontade.

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  4. Bom dia, ora ora ora que surpresa logo de manhã com um texto, desse porte e nível,as vezes da vontade desistir, mas ai vem uma dessa e levanta a moral da gente, trabalho de concientização, muito bem Erich.

    http://messnatural.blogspot.com/
    atualizado

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  5. Responsabilidade social é algo que deveria ser ensinado logo nos primeiros anos letivos.

    E por falar em responsabilidade social, só não sou a favor de certas ongs que são criadas para interesses únicos...

    Beijos !!!

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  6. Acredito que a reposabilidade social é uma tendência muito importante dentro das empresas.

    Nem todo mundo pensa no próximo. Quando você trabalha em uma empresa que pensa em bem-estár, quem sabe isso não é levado para o cotidiano das pessoas?

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  7. Eu discordo.
    Eu defendo que o Estado tem sim as suas atribuições, mas para que o Brasil consiga se tornar uma grande potencia e ter qualidade de vida é necessário que a população esteja engajada em todos os processos de decisões do país. Concordo que existem muitas empresas e pessoas que tentam tirar o máximo de proveito nisso, mas se todos pararem de fazer o que fazem por causa disso, o Brasil com certeza vai andar pra trás.

    ;D

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  8. Muito bom o tema abordado. Gosto desse tipo de discusão, parabéns

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  9. Muito bom o tema abordado. Gosto desse tipo de discusão, parabéns

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  10. Creio que se a população fizer a sua parte, o estado, ongs, etc, terão seu trabalho mais fiscalizado e consequentemente de melhor qualidade e menos "duvidoso"... Uma sociedade melhor começa dentro de cada um de nós!

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  11. Muitas empresas estão interessadas somente em isenção fiscal...

    E algumas pessoas tem como emprego 'diretor de ONG'.

    A proposta da coisa é boa, mas devemos avaliar/fiscalizar melhor...

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  12. daew vc recebeu um meme do blog do zé meu novo blog (o outro era um tipo de teste)

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  13. muita empresa é só fachada tbm, mas isso já ajuda. Deviam fazer isso com responsabilidade ambiental tbm.

    e o governo como sempre, ausente!

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  14. Realmente o Estado não cumpre o que deveria ser o seu papel , e é importante essa atuação de empresas e pessoas físicas incentivando ações que visam melhorar a qualidade de vida!

    E nem por isso devemos parar de lutar contra a corrupção e todos os males que prejudicam a todos e que impedem nosso país de crescer!

    Abraços!

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  15. É temos que ter Responsabilidade

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  16. É tão complicado...

    acredito que o estado tem que ser mais 'firme', com melhores gestores e tal

    http://minhainspiracao.blogspot.com/

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  17. A burocracia, falta de assistência do governo, corrupção, são coisas muito claras para todos. Ocorre que vendo tudo isso, cruzamos os braços e decidimos agir por nós.
    O Brasil nunca foi um país de lutas, não está na nossa cultura brigar por nossos direitos.
    E com tanta coisa errada, pq entregar as nossas boas ações nas mãos de um sistema que é um fracasso?

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  18. Oi, Pedro! Ajudar o próximo é sempre muito bom. Claro que o Estado tem um papel importante, mas acredito que todos nós devemos fazer um pouco para ajudar. Existem vários problemas. Se cada um fizer um pouco, num trabalho de formiguinha mesmo, podemos mudar uma vida e, conseqüentemente, o futuro da nossa sociedade. Adorei o artigo!

    Erich, o blog "30 e poucos anos" foi o vencedor do prêmio TOP COMENTARISTA do mês de outubro do Café com Notícias. Passe lá e usufrute do seu prêmio! Espero que goste.

    Abraço,

    =]

    -------------------
    http://cafecomnoticias.blogspot.com

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  19. legal o texto
    parabens

    acho que todo mundo tem que ter uma conciencia assim, fazemos parte de uma sociedade

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  20. realmente... só contribiria se de fato conhecesse a distribuição da verba destinada as ongs e programas sociais que aparecem aos milhares por aí...

    abraços !!

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  21. A gente tem que se preocupar com isso, e principalmente com o Meio Ambiente...po, a gente vai viver pelo menos uns 50 anos ainda....e se continuar assim, nao vamos ter nem agua pra beber, e nem ar pra respirar!

    Muito bom o texto!

    Bjss

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  22. E ai irmão, blz?

    Cara, ganhei um selo e indiquei o seu blog. Passa lá e pega, ok?

    Grande abraço. Fique com Deus, na Paz.

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  23. O problema é que não temos cultura de "responsabilidade social". Ótimo post"

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  24. belíssimo texto
    ótima leitura e entendimento!

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  25. Bem...isso tudo é bem complicado!
    Acredito que estamos presos em um circulo vicioso de cunho histórico que tende sempre a piorar, porém também creio que se fizermos ao menos nossa parte as coisas podem sim melhorar.
    Isso pode até parecer bastante utópico no entanto é uma esperança de dias melhores.
    No mas ,a resposta sempre está na educação!
    Até seu próximo post!!

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  26. O que eu vejo, na realidade, são empresas que se engajam em criar estratégias de marketing em prol da responsabilidade social deixando as ações para m segundo plano.

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  27. Muito bom seu texto, deviamos cobras mais do estado quanto as questões sociais pois somos o povo que mais paga impostos e muitos de nós, além de não receber educação, saúde, segurança, etc., de volta, ainda pagam duas vezes por isso, pois ainda colocamos nossos filhos em escolas particulares, pagamos plano de saúde, pagamos pedágio e continuamos a pagar IPVA, DPVAT, licenciamento, etc.

    Quanto a buracracia, eu acredito que alguma burocracia é necessária sim, pois se com tanta burocracia, com tanta prestação de contas, com tanta papelada a ser preechida pelos governantes antes da leiberação de alguma verba eles ainda conseguem roubar, imagina se extinguisem de vez tudo isso? roubariam muito mais eu acho...

    http://daniel.a.s.zip.net

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