28 de novembro de 2008

Na era das fusões!

Marcada pela grande sabedoria estratégica do palácio do planalto, que correu para aprovar a MP 443 dando poderes a Caixa Econômica e o Banco do Brasil a comprar bancos menores, o governo implanta mais uma medida de “incentivo” as instituições financeiras contra a crise. Tal medida, obviamente já explicitada pela imprensa, possibilita a compra da Nossa Caixa (do governo paulista) pelo Banco do Brasil. A negociação mostra a união do útil ao agradável. De um lado o governador Serra (SP) com sede de fazer caixa para sua administração e do outro o governo federal que, com as melhores das intenções possíveis, compraria o Banco Paulista. Porém, caros, como já nos disseram alguma vez: “de boas intenções o inferno está cheio”. Iniciado pela “fusão” do Itaú com o Unibanco, o governo corre para engolir Bancos, não deixando o BB cair para 3º lugar no ranking.

Associar essa medida a algum tipo de socorro ou ajuda não faz o menor sentido. Pelo que sabemos a Nossa Caixa anda muito bem das pernas, com carteira de crédito interna bem consolidada, cerca de R$54bi em ativos e sendo, principalmente, um braço importante para o governo do Estado. Como relata o Jornal Valor Econômico (20/11/08), a Nossa Caixa aumentará em R$ 30bi a capacidade do BB em fazer empréstimos e será vendido por cerca de R$ 5,38bi. Com isso, o BB dará um passo importante em relação ao Bradesco e ganhará de “brinde” uma influência grande no quadrilátero formado pelas cidades de Santos, Ribeirão Preto, Botucatu e Taubaté. Englobando, também, outras 185 cidades que formam um PIB maior do que da Argentina.

Feliz será José Serra que além de poder utilizar esse dinheiro para investimentos no metrô e trens urbanos orçados em R$ 18bi possui mais uma carta na manga. A saber, o leilão de venda da CESP (Companhia Energética de São Paulo), que tanto insiste.

Claramente, os integrantes do governo sabem da importância da compra para o BB e também que é muito difícil o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) considerar monopólio ou cartel no mercado bancário brasileiro, principalmente pelo número de instituições menores que existem. Mas a grande questão é saber até onde esse movimento chegará. Não se sabe ao certo. Porém, segundo o Banco Central, o nível de concentração passa a ser de cerca de 86 % do mercado nas mãos dos 5 maiores bancos. O que poucos comentaram quando saiu a suposta “fusão” do Itaú com o Unibanco (compra via troca de ações, na realidade), é que o mercado seria impulsionado para uma nova fase. Não se soube exatamente se o Unibanco sofreria descapitalização se continuasse sozinho no mercado. O Banco antecipou a divulgação de seus balanços trimestrais para acalmar seus acionistas e provou que apesar da parceria de parte do banco com a AIG, a instituição estava bem controlada. Também existe um boato de que a família Moreira Salles queria se desfazer da instituição há alguns anos. O Itaú “papou-o” disparando no ranking do país com cerca de R$ 509bi em ativos, se tornou 6º maior banco nas Américas e 14º no mundo (incluindo as gigantes Asiáticas), além de líder em vários segmentos no Brasil, deixando “bronca” para os outros grandes.

Por fim, esse panorama persistirá até que aconteça a consolidação bancária do mercado brasileiro, como ocorreu lá fora. Existem várias possibilidades e há ainda a chance de que haja inúmeras alterações no ranking enquanto houver o desaquecimento mundial. A ironia, guardadas as devidas proporções e avaliações, é acreditarmos que o “alto” planalto mostrou a Hank Paulson (Secretário do Tesouro Americano) e a toda a cúpula do FED (Banco Central Americano) como fazer um pacote de “ajuda” aos bancos.



Texto enviado pelo colaborador Fabio Lopes

2 comentários:

  1. Oie! Tudo ótimo e contigo?!
    Nós já temos a trilha de P.S Eu Te Amo lá no Blog ;)

    Tá aqui: http://trilhasonoradefiilmes.blogspot.com/search?q=P.s+eu+te+amo

    Abraço e Bom Final de Semana!

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